Estação São Francisco



A ESTAÇÃO: A estação São Francisco, em Alagoinhas, a cerca de 123 km de Salvador, foi aberta em 1880 ainda com linha em bitola larga - 1,60m. Isto ocorreu 17 anos depois da abertura da linha pois foi nesse local, 600 metros antes da estação de Alagoinhas, que era ponta da linha da Bahia-São Francisco Ry., que se decidiu colocar a saída dos trilhos para a linha do "Prolongamento", como era chamada a linha para Juazeiro na época.
Em 1878 já estava com as fundações prontas. Foi construída pelo Estado, e era sua propriedade, para a linha do Prolongamento, e não pelos ingleses ainda donos da Bahia-São Francisco nessa ocasião, embora toda a sua estrutura tenha vindo por navios da Inglaterra. Um contrato assinado ainda na época de sua construção entre o Estado e os ingleses fez a regulamentação do seu uso pelas duas ferrovias. O local era adequado para, com pouco movimento de terra, locar uma via reta de 400 m, sendo 200 m para cada lado da estação.
Afinal, da estação de Alagoinhas, então ponta da linha, não seria mais possível continuar a estrada para Juazeiro: o adensamento urbano que a implantação da estação criou em 13 anos impedia que fosse feita uma estrutura para bifurcação de linhas e saída de um novo ramal ali sem grandes desapropriações; por isso a decisão por São Francisco. O nome da nova estação, aliás, foi decidido por causa de ser ali "a saída para o rio São Francisco". Haveria duas plataformas: uma ao lado da linha de bitola larga, já existente, e outra do outro lado para a saída dos trens de bitola métrica da linha do Prolongamento.
Em 1911, as bitolas foram igualadas (a da Bahia-São Francisco foi reduzida de larga para métrica) e isso facilitou o transporte sem necessidade de baldeações de cargas e de passageiros na estação. A estação foi toda construída com material importado da Inglaterra e os pilares de sustentação de ferro que sustentam o teto e a abóbada metálica ainda possuem a inscrição do fabricante em alto relevo e até os tijolos foram trazidos da Inglaterra e ostentam o nome do fabricante e a data da produção. Como já dito, a estação é o entroncamento das linhas que, vindo de Salvador, saem dali para Sergipe e Juazeiro, na margem do rio São Francisco. Dependendo do guia de estações, da época e da fonte, a estação foi chamada tanto de São Francisco quanto de Alagoinhas.
Aliás, até hoje ainda ostenta uma placa metãlica numa das quinas de parede com o nome Alagoinhas. Consta que em 1935 a estação foi ampliada a partir de seu prédio original, já na época da Leste Brasileiro. Em 1990 com a estação já mostrando grandes sinais de abandono, o prédio foi tombado como patrimônio histórico pela prefeitura de Alagoinhas.
Segundo o boletim Centro-Oeste, de Flávio Cavalcanti, o último trem de passageiros da Bahia, o "Marta Rocha", que ligava Alagoinhas a Senhor do Bonfim, foi desativado em 1989, em virtude da forte concorrência rodoviária e pela precariedade dos serviços oferecidos à população, com carros superlotados e sem as mínimas condições de segurança e higiene, aliado às condições insatisfatórias da via permanente. Em outubro de 2006, parte do prédio da estação desabou, levando com ela para o chão toda aquela cobertura de ferro de mais de 140 anos de idade.
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Alexandre Santurian; Fabio Teixeira, 2007; Daniel Gentili; Arquivo Público Mineiro; Carlos Cornejo e João E. Gerodetti: As ferrovias do Brasil, 2005; Etelvina Rebouças Fernandes: "Do Mar da Bahia ao Rio do Sertão", Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador, 2005; Cyro Deocleciano R. Pessoa Jr: Estradas de Ferro do Brazil, 1886; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Guias Levi, edições de 1932 a 1984; Mapa: acervo R. M. Giesbrecht)

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